Ilha da Prosperidade, São Caetano — 1980

 

Espetáculo que corta o espaço tradicional do palco para criar um espaço próprio que deve ser ditado pelo sujeito do espetáculo.

 

Como foi criado em colaboração com a comunidade de Vila Prosperidade, seu "lugar" ideal (troca-se a noção de espaço teatral por lugar teatral), seu teatro, é certamente a própria vila, as casas, seus moradores. Não tem caráter didático no sentido político brechtiano, mas é participativo, uma segunda natureza do fato cotidiano ou a "natureza" invisível. O deslocamento para a Fundação das Artes criou um espaço teatral que poderia ter sido interessante mas não foi, pois os próprios atores que passaram pela proposta (em nada tradicional) esperavam um resultado disciplinado pelo espaço teatral (palco e plateia), o que não ocorreu (porque uma realidade maior e mais bela já havia acontecido e aquele movimento era apenas uma evocação necessária).

 

Entre o happening e o texto, os atores se moviam procurando soluções cênicas. De fato, o espetáculo criado entre eles e o público (que andava em cena ou dela saía), para ser lido com exatidão, necessitava de um bom espectador: ágil, sem cultura teatral ocidental ou imensa bagagem cultural. O espectador-opositor seria aquele acostumado e formado pelo espetáculo da TV de pior qualidade. Este espetáculo tem, sem dúvida, também, o espírito do tempo: um Living terceiro-mundista alguns anos após o próprio ter sido expulso do Brasil. Sem nostalgia do Living, creio que este espetáculo cria questões para outro que viria: 0 Tribunal Tiradentes (Teatro Municipal de São Paulo).

 

fotos | Ilha da prosperidade

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programa | Ilha da prosperidade

 

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publicação| Ilha da prosperidade

 

© 2019, Joana Lopes.