© 2019, Joana Lopes.

Busca Vida o Homem Amarelo, São Paulo — 1993

 

Este é um pequeno espetáculo para um ator que retoma algumas propostas anteriores e acrescenta outras. É uma reafirmação de que nada na minha trajetória nasce improvisadamente, sem ecos mais longínquos ou próximos. O que é retomado aqui? O tema do homem expulso do campo, sua saga na cidade grande, a procura de uma nova identidade. Questões que o Tribunal dos Crimes já colocara como lugar de observação da realidade. Mas o que significa a minha vontade artística é o fato do personagem "jogar" com a sua tragédia, transformando-se. Não existe um roteiro de fatos, apenas o jogo do personagem em circunstâncias diversas.

 

O método para construção deste personagem parte das indicações de movimento e de dança propostos pelo ator-bailarino Milton de Andrade. 

 

Foi gerado a partir da escritura do poema Busca Vida O Homem Amarelo, oferecido a Torquato Neto e Hélio Oiticica, ambos poetas das letras e das artes plásticas participantes do Movimento Tropicalista em momentos diferentes. O título Homem Amarelo surge como referência ao quadro de Anita Malfatti. Por outro lado, a construção do movimento se organiza mediante o estudo de Rudolf Laban, sempre uma referência teórico-técnica.

 

Este espetáculo teve também minha cenografia, luz e figurino. A cenografia foi construída com material encontrado nas ruas de São Paulo, particularmente papel vegetal utilizado pela TELESP na realização das plantas telefônicas. Construí um "parangolé" (Hélio Oiticica, autor do conceito, anos 70) de 30 metros, colorido pela iluminação de cores fortes que utilizei. 0 ator manipulava também um outro "parangolé" como única vestimenta no corpo coberto por terra amarela, encontrada por ele no interior do estado.

 

Concluímos que este trabalho foi realizado a quatro mãos, tendo o ator ganhado o prêmio de intérprete oferecido pelo Projeto Nascente e Editora Abril/USP — 1993.

 

fotos | Busca vida o homem amarelo

 

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