Pega teatro | Papirus: 1989; C.T.E.P.: 1981

 

Este é um livro com uma ideia central, uma tese que surge da prática teatral com crianças e jovens: o jogo dramático é a origem do teatro. Portanto, o jogo dramático não é atividade pedagógica, mas um fenômeno de representação que se tornará epifenômeno na medida em que o "atuante" tornar-se ator.

 

Para demonstrar essa ideia, o livro apresenta exemplos que apoiam o capítulo central sob título de "Somos todos atuantes alguns serão atores de profissão".

 

Meu objetivo com este trabalho foi contribuir para a investigação da linguagem teatral no que diz respeito ao estudo do ator pelo ator e também pelo diretor que utiliza a improvisação de autoexpressão. Contudo, este objetivo nunca foi amplamente atingido, visto que o teatro formal — o espetacular — não está interessado na autoexpressão, a não ser em grupos como o Living Theatre, que baseiam suas experiências na proximidade entre a arte e a vida. Por outro lado, os que afirmam seu teatro na arte do ator nem sempre consideraram a avaliação do jogo dramático do ator mas sim as técnicas de treinamento que, se vistas como única experiência significativa, tendem a anular a consciência da linguagem própria a cada um dos atores.

 

Atualmente, é possível observar que o tema foi reavaliado pois a experiência do Teatro da Antropologia Teatral — Eugênio Barba e Grupo do I.S.T.A. — considera uma etapa pré-expressiva (os códigos narrativos orientais) e outra igualmente expressiva narrativa, mas de alcance limitado, enquanto patrimônio simbólico da pessoa e não da cultura. A nós interessou estudar o expressivo, individual, a criação impossível de repetir do artista, pois nossa direção, como já observamos, trata de conseguir meios de prática artística na cultura a que pertencemos, sem que isso queira dizer desinteresse por outras práticas.

 

Pega Teatro, desde a sua primeira edição, tem sido utilizado na educação, tendo recebido um capitulo de análise na tese de Alexandre Matte — ECA/USP — em 1989, com o título "Sob a Consigna do Espanto: Teatro na Educação".

 

Pega Teatro resume a pesquisa que desenvolvi em busca de entender o teatro e fazê-lo a partir do acontecimento pessoal e não literário. Para escrevê-lo, enumero algumas passagens:

 

  • Observação com crianças;

  • Observação com operários adultos — no ABC de São Paulo (ocasião em que sofremos dura repressão com prisões e mortes);

  • Ordenação dos dados e observações que coletávamos sempre clandestinamente, pois nosso campo de pesquisa era a população;

  • Destruição parcial do livro pela repressão ao invadir minha casa;

  • Reorganização do que sobrou: exercícios de memória.
     

Escritura do texto e publicação em 1981 pelo Centro de Teatro e Educação Popular, e 2ª edição pela Editora Papirus, 1989.

 

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